Durante muitos anos, acesso remoto corporativo foi sinônimo de VPN appliance. Um dispositivo na borda, exposto à internet, com regras complexas, dependente de firmware atualizado e fortemente ligado à disciplina operacional do cliente. Esse modelo funcionou, até o momento em que escala, distribuição e risco começaram a colidir.
Hoje, em ambientes com filiais, franquias, equipes remotas e parceiros externos, o acesso remoto deixou de ser apenas um requisito técnico e passou a ser um ponto crítico de segurança, disponibilidade e custo operacional. É nesse contexto que cresce a adoção de modelos como VPNaaS e Zero Trust Network Access (ZTNA), entregues como serviço em nuvem.
Para parceiros de tecnologia, essa transição é uma mudança de lógica comercial e operacional.
O problema real do modelo tradicional
O desafio não está apenas na VPN em si, mas no conjunto de fatores que ela carrega:
- Dispositivos de borda expostos à internet, exigindo gestão contínua de vulnerabilidades, firmware, hardening e monitoramento.
- Complexidade operacional, com regras de acesso difíceis de padronizar entre unidades, clientes ou franquias.
- Dependência do usuário final para manter o endpoint em condições mínimas de segurança, criando variações constantes de risco.
- Custo invisível de suporte, troubleshooting e indisponibilidade quando algo falha.
Em muitos casos, o parceiro acaba assumindo esse ônus operacional sem conseguir transformar isso em valor recorrente claro para o cliente.
O que muda com VPNaaS e ZTNA
A migração para um modelo de acesso remoto entregue como serviço, combinando VPNaaS, ZTNA e verificação de postura do dispositivo, altera profundamente essa equação.
Plataformas como o SonicWall Cloud Secure Edge (CSE) exemplificam essa transição ao substituir o modelo de VPN baseada em appliance por acesso remoto entregue como serviço, combinando VPNaaS, Zero Trust Network Access e verificação de postura do dispositivo em uma arquitetura cloud-delivered.
Em vez de “conectar o usuário à rede”, a lógica passa a ser permitir acesso apenas ao que é necessário, com base em identidade, contexto e conformidade do endpoint. O controle sai da borda física e vai para uma camada centralizada em nuvem, reduzindo a dependência de appliances expostos e simplificando a gestão.
Do ponto de vista técnico, isso traz:
- Redução da superfície de ataque;
- Menor dependência de patching emergencial em edge devices;
- Políticas mais consistentes e auditávei;s
- Maior previsibilidade operacional.
Mas, para o parceiro, o impacto mais relevante está no modelo de entrega.
De projeto pontual a serviço gerenciado
Quando o acesso remoto deixa de depender de um equipamento específico e passa a ser um serviço cloud-delivered, ele se torna naturalmente gerenciável e escalável. Isso permite ao parceiro:
- Padronizar ofertas entre diferentes clientes;
- Reduzir variação operacional e erro humano;
- Vriar pacotes de serviço recorrentes;
- Integrar acesso remoto a um portfólio maior de segurança gerenciada.
Em vez de vender “instalação de VPN”, o parceiro passa a vender continuidade de acesso seguro, com SLA, política clara e governança.
Esse movimento é especialmente relevante no mercado SMB e em ambientes distribuídos, onde simplicidade e previsibilidade valem mais do que arquiteturas excessivamente complexas.
Device posture: o elo que faltava
Um ponto crítico nesse novo modelo é a verificação automática da postura do dispositivo. Ao impor requisitos mínimos de segurança, sistema atualizado, controles ativos, configurações básicas, antes de conceder acesso, o parceiro reduz drasticamente o risco operacional sem depender da boa vontade ou conhecimento do usuário final.
Para quem entrega serviço, isso resolve um problema histórico: transformar boas práticas em regra técnica, e não em orientação ignorada.
Por que esse tema é estratégico agora
Ataques explorando dispositivos de borda e acessos remotos continuam sendo recorrentes. Ao mesmo tempo, clientes esperam cada vez mais simplicidade, previsibilidade de custo e menos interrupções.
Para parceiros, insistir em modelos pesados, baseados em appliances e customizações excessivas, significa:
- Maior esforço operacional;
- Menor margem;;
- Dificuldade de escalar;
- Risco reputacional quando algo falha;
Já modelos baseados em acesso remoto como serviço permitem alinhar segurança, operação e negócio.
O papel da M3Corp nesse cenário
Na M3Corp, acompanhamos de perto essa transição e trabalhamos com fabricantes como a SonicWall para apoiar parceiros na adoção de modelos modernos de acesso remoto, mais simples de operar, mais seguros por design e mais fáceis de transformar em serviços recorrentes.
Mais do que trocar tecnologia, trata-se de ajudar canais a reposicionar o acesso remoto como parte da estratégia de segurança e continuidade dos clientes, com soluções pensadas para escala, governança e previsibilidade operacional.
Fontes
SonicWall — Cloud Secure Edge (CSE) | Visão geral do produto
SonicWall — Cloud Secure Edge Getting Started | Remote Access Use Case
SonicWall — Cloud Secure Edge Getting Started | Configuring ZTNA
SonicWall — Cloud Secure Edge Feature Guide | Overview
NIST SP 800-207 — Zero Trust Architecture
NIST CSRC — SP 800-207
CISA / parceiros — “Security Considerations for Edge Devices”
CISA Alert (2025) — guidance para proteger network edge devices (alerta oficial sobre orientações para defesa de edge devices
ENISA Threat Landscape 2025
Runsystem / SonicWall — Case Study


