O problema não é mais encontrar vulnerabilidades. É conseguir corrigi-las

por | abril 2026 | Sem Categoria | 0 Comentários

Durante anos, a evolução de AppSec foi guiada por uma lógica clara: encontrar mais vulnerabilidades, mais cedo. 

  • Ferramentas melhoraram. 
  • Cobertura aumentou. 
  • Os times passaram a enxergar mais. 
  • E, ainda assim, o risco cresceu. 

Não porque estamos vendo menos, mas porque não estamos conseguindo agir rápido o suficiente sobre o que vemos. 

A matemática que não fecha 

O relatório State of Software Security 2026 escancara essa contradição. 

Os números são difíceis de ignorar: 

  • 82% das organizações já carregam security debt 
  • 60% convivem com dívida crítica (alta severidade + explorabilidade) 
  • 49% das aplicações têm vulnerabilidades com mais de 1 ano 
  • 36% de aumento nas vulnerabilidades realmente exploráveis 
  • 243 dias é o tempo médio para corrigir metade dos problemas 

E talvez o dado mais importante: 

👉 a maioria das equipes corrige cerca de 10% dos problemas por mês 

Enquanto isso, novos continuam entrando. 

O resultado não é um backlog grande. É um backlog estrutural. 

O erro não está na ferramenta. Está no modelo 

A maioria dos fluxos de desenvolvimento ainda opera assim: 

  • Encontra vulnerabilidades; 
  • Classifica por severidade; 
  • Joga na fila; 

Tenta resolver conforme capacidade. 

O problema é que esse modelo foi pensado para um mundo onde o volume era menor, o ciclo era mais lento e a complexidade era mais controlada. 

Nada disso é verdade hoje. 

Com CI/CD, microserviços, APIs e código gerado por IA, o fluxo virou contínuo, mas o modelo de correção continua discreto. 

E isso cria uma distorção perigosa: 

  • Nem toda vulnerabilidade que você corrige reduz o risco. 
  • Nem toda vulnerabilidade que você ignora é irrelevante. 

O atacante não vê CVSS 

Enquanto o time prioriza por score, o atacante prioriza por viabilidade. 

Ele não pergunta se é 7.5 ou 9.8. 

Ele pergunta: 

  • Isso está exposto? 
  • Consigo encadear isso? 
  • Tem caminho até execução? 

E age. 

Isso explica por que vemos: 

  • Ambientes com “boa postura” sendo comprometidos; 
  • Falhas “menores” virando incidentes; 
  • Vulnerabilidades antigas sendo exploradas. 

O problema não é a falta de correção. É uma correção desalinhada com risco real. 

A dívida de segurança deixou de ser técnica 

O conceito de security debt mudou. 

Antes, era backlog. Hoje, é uma exposição acumulada. 

E essa dívida tem três origens claras: 

1. Velocidade maior que capacidade 

Você produz mais código do que consegue revisar e corrigir. 

2. Complexidade crescente 

Dependências, integrações, serviços distribuídos. 

No próprio relatório, 66% da dívida crítica vem de código de terceiros. 

E a correção aqui é mais lenta: 358 dias de half-life, em média. 

3. IA acelerando tudo 

Código é gerado mais rápido, e com falhas. 

Em testes citados no relatório, 86% do código gerado por IA falhou em testes de XSS. 

O ponto de ruptura: você não vai corrigir tudo 

Essa talvez seja a conclusão mais importante, e mais desconfortável. Corrigir todas as vulnerabilidades não é mais um objetivo viável 

E insistir nisso gera: 

  • Overload no time; 
  • Backlog infinito; 
  • Perda de confiança nos alertas; 
  • Priorização baseada em urgência, não em impacto. 

A mudança necessária não é de ferramenta. É de lógica. 

O novo modelo: priorizar, proteger, provar 

O próprio relatório propõe um caminho, e ele faz sentido para quem está no dia a dia do código. 

Priorizar 

Nem tudo tem o mesmo peso. 

Você precisa saber: 

  • Quais apps são críticos; 
  • Quais falhas são exploráveis; 
  • Onde está o impacto real. 

Sem isso, tudo vira urgente e nada é resolvido direito. 

Proteger 

Segurança não pode ser uma etapa. 

Precisa estar no fluxo: 

  • No IDE; 
  • No commit; 
  • No pipeline. 

Quanto mais cedo a correção acontece, menor o custo e maior a chance de acontecer. 

Provar 

Corrigir não é suficiente. 

Você precisa saber: 

  • Isso resolveu o problema? 
  • O risco realmente caiu? 
  • Existe evidência disso? 

Sem prova, a operação vira fé. 

Onde entra a Veracode nesse cenário 

O ponto mais interessante do relatório é que ele não fala só do problema, ele descreve exatamente o tipo de solução que começa a ganhar relevância. 

Plataformas como a Veracode atuam justamente na interseção desses três pontos. 

Não apenas encontrando vulnerabilidades, mas ajudando a: 

  • Priorizar com base em risco real, não só severidade; 
  • Integrar segurança ao fluxo de desenvolvimento; 
  • Acelerar correção com apoio de IA (como o Veracode Fix); 
  • Gerenciar dependências e supply chain com SCA e controles de entrada; 
  • Centralizar contexto com ASPM (Application Security Posture Management). 

Isso muda o papel da segurança para o dev. 

De algo externo e reativo, para algo integrado e acionável. 

O impacto real para quem desenvolve 

No fim, tudo isso converge para uma mudança prática: 

  • Menos tempo lidando com alertas irrelevantes; 
  • Mais foco no que realmente importa; 
  • Menos retrabalho; 
  • Mais previsibilidade no fluxo. 

E, principalmente: menos sensação de que segurança é um problema sem fim 

O que muda a partir daqui 

A próxima fase do AppSec não será sobre encontrar mais. Será sobre decidir melhor. 

E isso exige três coisas dos times de desenvolvimento: 

  1. Contexto; 
  2. Integração; 
  3. Capacidade de agir rápido. 

Porque, no ritmo atual, o risco não vem daquilo que você não viu. 

Vem daquilo que você viu…e não conseguiu resolver a tempo. 

 

Fontes 

Veracode. 2026 State of Software Security: Prioritize, Protect, Prove. 

Veracode. Disponível em: https://www.veracode.com/  

Veracode. Veracode Fix. Disponível em: https://www.veracode.com/products/fix/  

Veracode. Veracode Risk Manager. Disponível em: https://www.veracode.com/risk-manager/  

Veracode. Software Composition Analysis. Disponível em: https://www.veracode.com/products/software-composition-analysis/  

Veracode. Veracode Package Firewall. Disponível em: https://www.veracode.com/products/veracode-package-firewall/  

CISA. Known Exploited Vulnerabilities Catalog. Disponível em: https://www.cisa.gov/known-exploited-vulnerabilities-catalog